Home DESTINOS Montevidéu uma cidade que parou no tempo

Montevidéu uma cidade que parou no tempo

0
0

 

Uruguai é conhecido como o “paisito” da América Latina que pertenceu ao Brasil, mas que conseguiu sua independência e com o diferencial de ter a língua espanhola. Hoje o país tem uma economia baseada na produção agrícola e metade da população vive na capital, a boêmia Montevidéu que vive momentos da nostalgia.

A maioria dos edifícios é do século XIX e as impressionantes fachadas art déco (Montevidéu é uma das cidades da América Latina com melhores exemplos deste estilo), e apesar do estado de abandono da maioria deles, não deixamos de ser apanhados pelo feitiço.

Este local foi aos poucos abandonado pelos montevideanos que se instalaram nas quintas junto à Rambla, coluna vertebral e orgulho dos habitantes de Montevidéu. Os 22 quilómetros deste passeio marítimo, ou melhor, fluvial, porque apesar de parecer este mar não é um mar, mas sim o estuário do rio da Prata, são a face mais limpa da cidade, com casas ajardinadas e uma vista que se perde na areia das praias de Ramírez, Pocitos e Buceo.

Contudo a iniciativa dos jovens empreendedores e com sentido estético e histórico que iniciaram o caminho de regresso à cidade velha, reconstruindo-a com carinho e recuperando um legado histórico ignorado durante décadas, dando-lhe um sopro de vida com os seus negócios.

 

Empreendedores como o chef chocolatier Lucas Fuente com a sua coquete chocolateria artesanal, com um ar francês e os bombons de autor Volverás a Mi; Lucía Soria, chef e jurada do programa MasterChef e dona do restaurante Jacinto; ou a equipa por trás do hotel Alma Histórica na romântica Praça de Zabala, uma mansão do século XIX recuperada, com quartos dedicados a grandes homens e mulheres da arte, das letras e da música do Uruguai.

 

Os quartos tem decoração dedicadas a El Varón del Tango, Julio Sosa, descanço acompanhado de malas que fizeram mil viagens e um gramofone que evoca outro tempo, em que a cadência de um tango e som de risos e copos a brindar enchiam de vida casas como esta.

 

A influência brasileira se pode notar em várias partes domo o Café Brasileiro refúgio intelectuais que se reúnem para conversas de literatura. Escritores como Mario Bennedetti e Eduardo Galeano e hoje um reduto da cultura de café de outras épocas. Nesta mesma mesa, junto à janela, onde Galeano bebia café enquanto tomava notas no seu caderno, sento-me hoje e em sua memória peço um café galeano (café, amareto, natas, doce de leite, polvilhado com cacau).