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31 º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo de Portugal

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A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, afirmou esta sexta-feira, dia 22, que é necessário refrescar a Estratégia 2027, ao nível do modelo de governança do turismo. Rita Marques falava no encerramento do 31º congresso nacional da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) que decorreu em Viana do Castelo.
Segundo Rita Marques, a Estratégia 2027 para o turismo tem-se afirmado “como um instrumento de sucesso”, que se deve ao facto de ter sido “construída segundo uma lógica muito participativa, permitindo que o setor público e privado se reveja nela”. “Sem prejuízo desse sucesso, é necessário refrescar o documento”, disse a responsável. “Até porque como o ministro [de Estado, da Economia e da Transição Digital] disse ontem, muitas metas estão prestes a ser atingidas e, portanto, quando começarmos esse exercício de refrescamento da estratégia, era importante repensarmos a questão da governança”, defendeu. “O Turismo de Portugal, as Entidades Regionais de Turismo e as Agências Regionais de Promoção Turística são peças de uma engrenagem que se pretende potente, eficiente e, acima de tudo, eficaz. Também a esse nível vamos ter de perceber como podemos automatizar estas várias peças para que tenhamos um motor ainda mais potente para agarrarmos o desafio do turismo de amanhã”.
Rita Marques, que ouviu os desafios do setor expostos ao longo destes dias do congresso, garantiu que leva “trabalho para casa”. Além do desafio de refrescar a Estratégia 2027, a secretária de Estado do Turismo disse estar empenhada em outros quatro desafios nesta legislatura.

Infraestruturas
Na semana passada, durante o congresso da APAVT, a responsável já tinha identificado o desafio das infraestruturas. A este respeito voltou a afirmar que um dos grandes desafios do turismo em Portugal é garantir uma boa gestão das infraestruturas a três níveis: “Trabalhar de forma periódica com os operadores aéreos no sentido de garantir que as rotas atuais são as corretas, trabalhar com as entidades que gerem essas infraestruturas no sentido da eficiência, e, em terceiro lugar, trabalhar com os colegas do governo que têm como missão a melhoria constante dessas infraestruturas, utilizando boas práticas ao nível da eficiência”.
Ainda em matéria de infraestruturas, Rita Marques falou de uma estratégia mais ampla que envolva outras vias de acessibilidade. “O número de passageiros desembarcados a nível marítimo até setembro decresceu 1,2% comparativamente ao período homólogo. Apesar desta exposição atlântica privilegiada, não posso deixar de dar conta desta preocupação. Atendendo que a via marítima é uma porta de entrada interessante para Portugal, daremos atenção a esta conjuntura. Falou-se também, no que diz respeito às infraestruturas, à via ferroviária, que esteve adormecida durante largos anos, esperamos que seja trabalhada na próxima legislatura, quer nível regional, mas também como porta de entrada de Espanha”.

Qualificação da oferta
A qualificação da oferta de modo a aumentar a estada média dos turistas será também uma aposta da nova Secretaria de Estado. Depois de anunciado pelo ministro Pedro Siza Vieira o reforço da Linha de Apoio à Qualificação da Oferta, que passará a dispor de 250 milhões de euros, Rita Marques classificou a medida como “útil para termos melhor oferta”. Mas alertou: “Não nos podemos esquecer que temos de trabalhar em rede, numa lógica de trabalhar região a região, apostando nas diferenças mas também na coesão territorial tem de ser uma prioridade. Portanto, no que toca às infraestruturas turísticas, temos de apostar claramente na valorização das mesmas, criando espaços de fruição turístico cultural para que, quem nos visita, possa ficar mais do que as 2,7 noites que atualmente fica, utilizando produtos que já foram criados como a N2, os Caminhos de Santiago, a Rota do Xisto, e tantos produtos que já foram desenhados mas que só fazem sentido se forem agarrados numa lógica matricial, para que quem nos visita viaje por Portugal de lés a lés”.

Instrumentos financeiros
A secretária de Estado do Turismo revelou também preocupação com a capitalização das empresas, sendo este um desafio para a próxima legislatura.
“Temos de continuar a trabalhar em identificar instrumentos que permitam a capitalização das empresas para que elas possam de forma saudável continuar a reinvestir nos seus negócios não só em Portugal, mas também no estrangeiro. Falou-se da necessidade de alargarmos a nossa rede para além fronteiras proporcionando às unidades hoteleiras a capacidade de investir lá fora, porque, de facto, podem ser ‘avenidas’ importantes para trazer turistas para cá, estou a falar de Espanha, mas também refiro o Brasil ou os EUA. Tem de ser feito um esforço com o ICEP no sentido de proporcionar, não só investimento direto estrangeiro proveniente dessas geografias, mas, sobretudo, capitalizar as nossas empresas, estimulando instrumentos que ajudem a ter capacidade de investir cá dentro e lá fora”.

Recursos Humanos
Como quinto desafio, Rita Marques identificou os recursos humanos, área em que é preciso trabalhar ao nível da quantidade e da qualidade. “No que toca à quantidade temos de trabalhar melhor, valorizar as carreiras do turismo, instigando os jovens a optar por elas e, ao mesmo tempo, apostar naqueles que, não estando nestas carreiras, poderão vir a ser reorientados para as mesmas”.
Ao nível da qualidade, “continuaremos a trabalhar na capacitação dos jovens, e dos menos jovens, sempre numa perspetiva da valorização da carreira, garantindo que os empresários possam ter os recursos humanos possíveis e capacitados para que possam proporcionar uma experiência interessante a todos os que nos visitam”.