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Pedalar pela Catalunha e ver belíssimas paisagens

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A caminhada a bicicleta, é provavelmente, a forma de locomoção mais amiga do ambiente a a companheira ideal para um passeio entre o interior e o litoral da Costa Brava, na Catalunha (Espanha). Do campo ao mar, seguindo a antiga rota de um comboio, entre Palafrugell e Palamós.

  

Logo pela manhã já andam ciclistas para lá e para cá, ao longo do antigo troço de caminho-de-ferro. Uns calmamente, em passeio, a dois, aproveitando a paisagem e o fresco que vai fazendo. Outros vestidos a rigor, com equipamentos de equipas de ciclismo, fazendo o percurso a todo o gás, imaginando – quem sabe? – uma meta imaginária de uma grande Volta europeia. Optamos por seis quilómetros de caminho, do interior à costa, parte integrante de um trajeto muito maior (140 km) a que correspondem as Vias Verdes da Catalunha, na província de Girona.

Barcelona está a mais de 100 quilómetros para sudoeste e dispensa apresentações. A capital da Catalunha é um destino por si, enquanto o resto da Comunidade guarda surpresas difíceis de imaginar a quem aqui vem pela primeira vez. Ruta del Tren Petit, assim se chama este troço que percorremos de forma tranquila, saindo de Palafrugell e chegando a Palamós.

 

As Vias Verdes estão protegidas e descritas pela Declaração de Lille de setembro de 2000: «Vias de comunicação autónomas reservadas para deslocações não motorizadas, (…) valorizam o meio ambiente e a qualidade de vida». Só foi possível a sua criação porque os acessos de serviço a canais e as vias de caminho-de-ferro abandonadas foram reaproveitadas. Cruzam a paisagem da Catalunha, unindo pontos mais e menos turísticos com objetivos simples: proteger o meio ambiente e incrementar o exercício físico das populações.

Não são necessárias regras rígidas para percorrer estes caminhos, mas aconselha-se sempre o respeito pelos outros praticantes, não sair da rota e ter em atenção à Tramuntana, quase sempre presente nas conversas com as pessoas com quem nos cruzamos. A Tramuntana é o vento que sopra de Norte e convém tê-lo pelas costas, a menos que se queira pôr à prova a condição física.

 

Este percurso de seis quilómetros está pensado para todo o tipo de praticantes. Não tem declives acentuados, o piso é de terra batida e suficientemente largo para duas pessoas pedalarem lado a lado, mas atenção – os “profissionais das bicicletas” não são grandes adeptos deste tipo de praticantes, por isso convém estar atento para não estragar o treino a ninguém. Para a totalidade do percurso, de forma tranquila, parando para algumas fotografias ou para observação da vida animal, conte com cerca de 30 minutos de viagem. A via de Palafrugell a Palamós foi criada em 2009 e passa perto de outras localidades, como Vall-Llòbrega e Montràs, terminando num acesso à praia de Castell, na Costa Brava. Faz parte de um antigo caminho que ligava a cidade costeira de Palamós (capital da gamba vermelha, simplesmente deliciosa) a Girona, com passagem também por La Bisbal de Ampurdán, local ideal para quem gosta de cerâmica e da arte do barro. Boa opção para uma desvio e para compras, diga-se.

 

O comboio fez a sua primeira viagem em março de 1887, puxado por uma locomotiva a vapor vinda da Bélgica que cortava a paisagem agrícola da Catalunha, escondida entre o mar e as montanhas.

 

Existem muitas ruínas de antigas casas para observar. E outras novas e recuperadas que se escondem dos olhares indiscretos através da vegetação. Mais perto da costa estão as antigas torres de vigia, de onde se tentava proteger o território das investidas de piratas famosos, como o velho Barbarossa, no século XVI. Este foi sempre um mar tão apetecível quanto respeitado. As enseadas, que serviram de esconderijo a frotas de malfeitores e aventureiros, são hoje refúgio para turistas de todo o mundo.

 

Percorrem-nas de mochila às costas, subindo e descendo escadas e encostas, em busca do melhor cantinho da Costa Brava.

Nas cidades, como Palamós, o nosso ponto de chegada, mantém-se o encanto de outros tempos e a aposta no reviver de um passado de mar. O Museu da Pesca, por exemplo, não mostra apenas a evolução da faina no Mediterrâneo. Permite conhecer os homens e as mulheres que fazem desta atividade uma bandeira de Palamós. Além de ser permitido assistir à chegada das embarcações e ao descarregar do peixe e do marisco, cada visitante vai poder também estar presente no leilão dos produtos, bem como comprar diretamente no mercado local e – e este é o grande trunfo – poder ter uma refeição confecionada por quem sabe do assunto: os pescadores.

 

A bordo da embarcação, fazendo parte de um dia de campanha, ou tomando parte de um show-cooking nas instalações do museu. E depois de um dia a pedalar na natureza, nada melhor que uma refeição caseira, com os melhores produtos do Mediterrâneo.

Onde ficar

Can Bassa

É referenciado como hotel, mas é muito mais do que isso. É uma antiga casa rural restaurada e inserida nas muralhas do século XIV de uma pequena aldeia de Baix Empordá, na Costa Brava, a 30 quilómetros do destino final deste percurso de bicicleta, Palamós. Ideal para escapadas românticas, para férias em família e para quem procura desligar-se do mundo exterior. Tranquilidade, jardins e salas convidativas e uma piscina exterior são boas razões para estar por aqui. Além disso, a simpatia e disponibilidade dos proprietários dão a sensação de não se querer ir embora. Isso e um pequeno-almoço com sumos e enchidos da região.

 

Onde comer

 

Bar Sun Generis

Não tem site nem precisa. Nas ruas apertadas e históricas de Madremanya, quatro mesas de ferro à sombra noturna das torres do século XIV, são mais do que suficientes para nos fazer querer estar ali até altas horas da noite. A pé, desde o Can Bassa, não chega a três minutos de distância. Enchidos da Catalunha, vinho feito pelo proprietário que fuma cachimbo e lê um livro enquanto comemos, um cão que corre atrás de um gato, as sombras medievais e o silêncio de uma aldeia histórica. Não pode ser melhor do que isto.